A PEDAGOGIA DA DESILUSÃO: O HOMEM QUE ME ENSINOU A NÃO AMAR ÀS CEGA
Andréia Maria de Jesus Ferreira, Ana Gonzalez Chena, Maria Joseilda da Silva
Resumo
Este artigo analisa a desilusão amorosa como uma experiência formativa no campo da educação emocional, especialmente em relações heteroafetivas marcadas por assimetrias afetivas, ausência de reciprocidade e imaturidade emocional. A pesquisa, de abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, fundamenta-se em revisão bibliográfica e análise teórico-interpretativa, articulando contribuições da psicologia, da educação emocional e dos estudos de gênero. A partir do conceito de “pedagogia da desilusão”, compreende-se que experiências de frustração afetiva, embora associadas ao sofrimento, podem desencadear processos de aprendizagem, tomada de consciência e ressignificação da experiência vivida. A análise evidencia que a desilusão pode favorecer o reconhecimento de limites pessoais, a desconstrução de idealizações amorosas, o fortalecimento da autoestima, da autonomia emocional e do senso crítico. Também se destaca a influência das desigualdades de gênero na distribuição da responsabilidade emocional nas relações, contribuindo para a sobrecarga afetiva feminina. Considera-se que a desilusão amorosa, quando elaborada e ressignificada, pode constituir uma experiência educativa capaz de promover transformações subjetivas e contribuir para a construção de relações futuras mais equilibradas, baseadas em reciprocidade, respeito e responsabilidade afetiva.
Palavras-Chave:
Desilusão amorosa; Educação emocional; Autonomia emocional.





