INCLUSÃO FORMAL E EXCLUSÃO COTIDIANA: ESCOLARIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM TEA NÍVEL 3 DE SUPORTE E SOBRECARGA MATERNA
Geane Fernandes Macedo
Resumo
Este estudo tem como objetivo compreender as experiências, os sentimentos e os estigmas vivenciados por mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no contexto da inclusão escolar, com especial atenção às situações de maior nível de dependência e demanda de suporte. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza descritiva e reflexiva, desenvolvida a partir de um estudo de caso em uma escola da rede pública municipal de ensino. Como instrumento de produção dos dados, utilizou-se uma entrevista semiestruturada, conduzida a partir de uma escuta sensível, aliada às observações da pesquisadora no cotidiano escolar. A análise fundamentou-se nos conceitos de estigma, conforme discutidos por Erving Goffman, e nas reflexões de Carlos Skliar acerca do olhar sobre o outro e da construção social da diferença. Os resultados evidenciam que, embora a inclusão escolar seja garantida no plano legal, sua efetivação encontra obstáculos significativos, sobretudo no caso de crianças com TEA em nível 3 de suporte, o que acarreta processos de exclusão velada e intensifica a sobrecarga materna. Conclui-se que o estigma ultrapassa a condição da criança e recai sobre a figura materna, revelando a necessidade de práticas e políticas públicas que considerem não apenas o estudante com deficiência, mas também as famílias que sustentam cotidianamente a luta pelo direito à educação.
Palavras-Chave:
Inclusão escolar; Transtorno do Espectro Autista; Estigma; Maternidade; Educação especial





