NEUROBIOLOGIA DO AFETO: RELAÇÕES ENTRE EMOÇÕES, MEMÓRIA E APRENDIZAGEM
Erivelton Fernandes França, Douglas Figueiredo Cossote, Thiago Ranzani da Costa
Resumo
O modelo tradicional de ensino historicamente priorizou o desenvolvimento cognitivo sob uma perspectiva racionalista, segregando as manifestações afetivas do ambiente escolar. Contudo, o desenvolvimento da neuroeducação tem ampliado as discussões sobre as relações entre os processos cognitivos, as emoções e a aprendizagem. Este estudo teve como objetivo analisar a neurobiologia do afeto e o papel das emoções na consolidação do aprendizado, investigando como os mecanismos biológicos influenciam a retenção de informações. Para tanto, realizou-se uma revisão de literatura de caráter teórico-descritivo, mapeando a literatura pertinente. Os resultados evidenciam que a cognição e a afetividade são dimensões indissociáveis e integradas nos processos de aprendizagem. No âmbito anatômico, a estreita cooperação funcional entre a amígdala e o hipocampo (estruturas envolvidas no processamento emocional e na memória) atua como um mecanismo de modulação da relevância das informações. No aspecto neuroquímico, constatou-se que neurotransmissores como a dopamina e a serotonina estimulam a atenção sustentada, a curiosidade e a resiliência acadêmica, ao passo que o estresse crônico e o hipercortisolismo pode dificultar as funções executivas pré-frontais. Considera-se que a aplicação educacional desses conhecimentos deve considerar a construção de ambientes escolares acolhedores e seguros, bem como a adoção de estratégias pedagógicas fundamentadas em evidências. Compreender a neurobiologia do afeto é indispensável para otimizar os processos pedagógicos e promover uma aprendizagem genuinamente duradoura.
Palavras-Chave:
Neurobiologia do afeto; Sistema límbico; Consolidação da memória; Neuroeducação; Prática pedagógica.





