A EXPANSÃO URBANA DE MANAUS E A VULNERABILIDADE À HEPATITE A: REFLEXÕES SOBRE O BAIRRO LAGO AZUL
Cínthia Maria Teixeira Sampaio, Adorea Rebello da Cunha Albuquerque
Resumo
A hepatite A em Manaus, entre 2020 e 2024, revela um cenário de oscilações que expõem a vulnerabilidade sanitária da cidade. Em 2020, a taxa foi de 0,27% por 100 mil habitantes, seguida por uma queda expressiva em 2021, ano de cheia histórica, para 0,13%, o menor índice da série. Em 2022, os registros voltaram a crescer, alcançando 0,24%, e nos anos de 2023 e 2024 atingiram 0,34%, configurando o maior patamar observado. O último ano foi marcado por uma seca extrema, evento que intensificou problemas no abastecimento de água e no armazenamento domiciliar, ampliando os riscos de exposição da população. Embora os números indiquem baixa incidência geral, eles revelam desigualdades profundas: áreas intraurbanas permanecem mais suscetíveis à transmissão, especialmente onde o saneamento básico é precário e o acesso à água tratada é limitado. No bairro Lago Azul, por exemplo, a deficiência no abastecimento, o esgotamento sanitário insuficiente e as ocupações em áreas de risco próximas a igarapés configuram um ambiente propício à disseminação da doença. Esses resultados reforçam que a hepatite A, mesmo em baixa escala, é um alerta para a relação direta entre desigualdade socioambiental e saúde pública.
Palavras-Chave:
Hepatite A; Saneamento básico; Vulnerabilidade.





