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A RELAÇÃO ENTRE A VERDADE E A FICÇÃO JOSÉ GOMES FERREIRA: IMITAÇÃO DOS DIAS

Emanuela Leandra Gonçalves

Resumo

O presente artigo analisa a obra Imitação dos dias (diário inventado), de José Gomes Ferreira, a partir da relação estabelecida entre verdade e ficção no âmbito da literatura autobiográfica. Inserida na tradição da escrita íntima, a obra evidencia a complexidade do gênero autobiográfico, sobretudo no que se refere à representação do “eu”, à memória e à autenticidade dos fatos narrados. Com base nas reflexões teóricas de Philippe Lejeune acerca do pacto autobiográfico, o estudo discute como a escrita diarística de Gomes Ferreira transita entre a sinceridade confessional e a elaboração ficcional. A análise demonstra que o autor constrói uma narrativa fragmentada em que memória, subjetividade e imaginação se entrelaçam, tornando tênues os limites entre o vivido e o inventado. Ao explorar conceitos filosóficos e literários sobre a verdade, o artigo evidencia que a autobiografia não se define pela comprovação absoluta dos acontecimentos, mas pela construção de uma verdade íntima e sensitiva do sujeito que escreve. Dessa forma, conclui-se que Imitação dos dias representa uma importante manifestação da literatura autobiográfica portuguesa, ao utilizar a ficção como recurso de expressão da subjetividade e da experiência humana.

Palavras-Chave: 

Autobiografia; Verdade; Ficção; Memória; José Gomes Ferreira.

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